quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Madrugada
No meu sonho procurava um lar, mas nunca sozinha. Ao meu lado sempre um grande amigo, um rosto conhecido. De repente me vejo num lar devastado. Todas as soluções financeiras trazem o horror da dependência, a loucura da prisão. Me pergunto onde meu grande amor foi parar uma vez que ele, até agora, não deu as caras nessa noite confusa. Quando não o encontro, procuro os rostos familiares que também me abandonam. O desespero cresce. Ouço instruções dos donos do dinheiro. Para mim e em mim soam irreais. Procuro entender o que está acontecendo e percebo que anda mais está sob meu controle. O desespero me leva ao despertar. Me encontro no escuro do quarto de hotel. Sob a porta, a luz forte que vem do corredor me confunde. Agitada bebo água. Tento entender o significado das visões no meu dia a dia. É tarde. Amanhã tenho mais um dia sem sentido pela frente. Isso me cansa. Sinto um sono constante. Durmo novamente. Pela manhã me recordo de cada detalhe, de cada sensação. Serve para algumas linhas, serve pra fazer sentido.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Tempo
Os minutos têm uma importância e um peso diferentes em uma longa jornada. As pausas são obrigatórias e, aliadas ao cansaço, fazem você querer dominar o tempo, esse carrasco. De uma maneira ou de outra, ele irá te trair. Seja com falta, com excesso, com a velhice que chega. Ele vai estar ali sempre, nos mostrando que é mais forte que qualquer um.
Minutos que não passam quando você gostaria de estar em outro lugar... no acorde de uma canção, nos braços do seu amor, no caminho da praia, no sol do verão, qualquer lugar menos sufocante que a espera dos minutos que não se vão.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Branco
Páginas em branco me desafiam, me confundem, me convidam. Mesmo sem ter algo pra falar não consigo me conter e, nesse impulso sem sentido, me ponho a escrever pra ninguém. Nem mesmo pra mim.
Deitada na cama, envolvida pelo branco dos lençóis, percorro o encontro por vir. Nele enxergo os beijos apaixonados, os carinhos trocados, uma cumplicidade latente. A beleza do olhar, a pureza do sorriso, a simplicidade do encontro.
Algo me inquieta. Não consigo entender de onde vem tanto medo. Flashes de um futuro se misturam com o passado. Tento entender de onde isso vem. Esse furacão que parece viver de aluguel no meu estômago. Inquilino imposto. Olho pela janela, as nuvens me convidam a um passeio pela paz. Encosto em tudo à minha volta procurando calma. O coração bate forte. Os olhos não conseguem fechar e o corpo não descansa. São 24 horas de uma vigília incompreendida e indesejada. Fico me procurando em respostas que nunca chegam. Vou indo, sou levada. A melodia é a única terapia. A letra, o calmante obrigatório. Escrevo por escrever, ouço por ouvir, vivo por tudo e, às vezes, por nada.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Nada
Não consigo me lembrar quanto tempo faz desde que escrevo sobre meus pensamentos e percepções. Sem dúvida faz mais tempo do que deveria e menos tempo do que eu entenderia. Botar uns sonhos no papel, disputar o tempo com as palavras, entender os outros com sutileza, passar um tempo sem fazer nada... pra observar.
O tempo chega, meio fora de formato e de contexto. Esperando ser surpreendido por alguma nova idéia ou presságio. Mas nada vem. Parece de propósito. Nem quando o tempo dá uma trégua, ela realmente é pra valer. Paga-se o preço da vida moderna... É o fim da inspiração!!!
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Na exposição... O Corpo Humano

No fim das contas somos todos exemplares. Dissecados, abertos, expostos. Nossos pulmões: os que fumam, os que não fumam. Nossos corações: os que batem e os que não batem. Há semelhanças?!?! Nossas veias, capilares, circulação. Vermelho, amarelo, azul... Somos, por dentro, coloridos? E os olhos... Ah, os olhos não são os nossos, são todos de mentira. Estranho... nos mostram como somos por dentro mas não podem mostrar nossos verdadeiros olhos! Olhos negros, amendoados. Nossa forma mais sublime de expressão. Ou não. Nossa expressão visceral, talvez...
domingo, 21 de setembro de 2008
Viagens rotineiras
Quero saber de tudo, ler tudo, ouvir tudo, andar por todos os caminhos. Quero me dividir em 1.000 e quero que cada pedaço de mim viva a riqueza de um milhão de existências. Quero ver as estrelas deitada sobre os buracos da Lua, quero conhecer a história dos homens, das línguas, das palavras. Minha cabeça pensa freneticamente em tudo que quero conhecer e por tudo que quero me apaixonar. Viver em busca de paixões sequenciais leva à loucura. Quero ser arrebatada diariamente. A rotina me massacra. Me tira os sentidos, me rasga e me transforma em nada. Um ser inanimado. Dorme, trabalha, come, acorda. Nada vê, nada sente, nada entende. Morre-se e vive-se a cada segundo. Quero chegar não sei bem como, porquê, aonde e, muito menos, pra quê...
domingo, 14 de setembro de 2008
O Rio de Janeiro

Há provas de que a minha cidade pode se reinventar e me surpreender a cada dia. Quarta-feira, um dia normal. Primeira página:"Favela blinda prédio e constrói muro alto para se proteger de balas perdidas". Eu me pergunto... Até onde o paradoxo das diferenças sociais vai? Aonde vai chegar, pra onde vai nos levar? A resposta eu realmente não tenho. Mas me assusta saber que, no fundo, somos todos reféns. Reféns da política e do sistema que menospreza a educação como forma de inclusão social. Reféns da corrupção e da crise ética que faz com que todos os movimentos sejam motivados por interesses egoístas. Reféns por desacreditar que alguém realmente tem vontade de mudar alguma coisa, simplesmente por fazer o bem e ajudar por ajudar. Me pego pensando dia sim e outro também no que fazer. Nao tenho resposta. Não gosto de política, tenho minha vida que não pode parar. Desculpa, falta de força, uma certa forma de ostracismo? Mais uma vez não sei... Sei o que sinto. Amor pela minha cidade. De tão visceral, cogito tatuá-la no meu corpo... por agora me parece ser a melhor solução. Do jeito que as coisas andam pode ser que essa seja a melhor lembrança que eu tenha dela, no futuro.
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