Não sei se olho pro passado das fotos ou pro futuro das nuvens. Sobrevôo a chuva. Com ela deixo pra trás o medo e a insegurança. Quando a única coisa que importa é o formato da sombra que as nuvens fazem no mar e a tarefa mais difícil é enxergar o encontro do mar com o céu, me pergunto: pra que correr, pra que se preocupar, pra que se aborrecer se não há nada melhor que voar em direção ao sol...
terça-feira, 26 de agosto de 2008
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
A despedida
Da janela, vejo somente os cacos. Na lembrança que me atormenta o negro da escuridão contrasta com o brilho do tesouro perdido. A cena se repete e parece que alguém entrou no meu peito e levou um pedaço do meu coração. Coração esse que bate assim meio desajeitado. Coração esse que procura e não encontra por não saber o que procurar. Bate meio descompassado, tranquiliza e as vezes nem bate. Fica mudo. Protesta, protestando contra tudo...
Assalto suíço...
É tempo de recomecar. Olho pra trás e penso que é hora de começar a fazer poesia doce. Tenho medo de não conseguir. Me tiraram dinheiro, fotos, tranquilidade mas me deram a chance de um novo despertar. Olho pros lados e vejo nada. Me pergunto se ao recomeçar vai ser possível sentir. De maneira diferente. Queria encontrar a inspiração na doçura mas ela parece me querer somente no amargo. E viver no amargo dá trabalho e desgasta. Traz desamor por si mesmo apesar de junto trazer alguma beleza. A beleza da sensibilidade. Tenho muitas palavras e pouco espaço. Como na vida, cujo tempo não foi criado pra poder encaixar uma única existencia.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Devaneios por si só
O dia amanheceu gelado tal qual meu coração. As poucas horas de sono justificam o cansaço do corpo e da mente, que ainda assim insistem em funcionar. Pensam nas mentiras contadas e pensam ainda no crer nessas mentiras. O coração aperta e eu, injustamente, culpo a humanidade ao invés de olhar para a verdadeira culpada. Eu mesma. Enxergar a vida com o coração e com ingenuidade é um privilegio pra poucos afortunados. Não me incluo nessa lista. Conheço as sujeiras, as baixezas e a imundície que a mente humana é capaz de produzir. O lado escuro de cada um de nós. Convivo com isso, enxergo isso, leio isso... E uma ingenuidade impregnada em mim não consegue admitir que tudo isso esta aí. Não consegue enxergar o quanto as pessoas são inescrupulosas e irrealmente egoístas
Um sonho essa noite
Sonhei essa noite com as profundas rugas que inevitavelmente vão me impregnar. Eu olhava pra elas e pedia pra que elas me ensinassem a amá-las. Eu não as odiava, simplesmente não entendia porque mudavam meu reflexo no espelho. Acordei assustada, sem saber o que fazer. Acariciava meu rosto e me olhava no espelho do sonho buscando encontrar alguma coisa escondida dentro de mim
A caminho de Toledo

Dentro do trem, Madri entra pelos meus olhos. Do clássico ao moderno, vejo as janelas nascendo nos edifícios e as ruas subindo. Aos meus pés, os trilhos. Escuto ao fundo uma voz macia interrompendo minha música. Prédios cortam o céu de um azul que imita uma tela de Patinir. Vejo uma favela. Pequena, plana, porém favela. Um par de olhos me encontram. Em um segundo vejo tudo escuro. Em outro vejo o sol. Me resta agora somente a paisagem seca da janela...
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Aeroporto de Madrid - A caminho de Londres
Caminho com o corpo sentindo as poucas horas de sono. Acidentalmente me dirijo ao desembarque e, naquele momento, uma confusão de vozes e pessoas se misturam, Páro no tempo, finjo ter um motivo pra estar ali. Não tenho, afinal só me resta esperar. Aproveito aquelas vozes, as escutando. São garotos e garotas se despedindo depois de um programa de intercâmbio. Suas lágrimas me tocam, seus sorrisos me olham, os beijos trocados são sinceros. Sofrem da saudade antecipada da ausência da cumplicidade. Choram pelo tempo que passou e já foi, já foi mesmo, impossível de repetir. Choram com a sinceridade e as dúvidas de corações de quinze anos.
Barcelona... devaneios
Por que os olhos mudam quando os pés dividem as dúvidas, preocupações, alegrias, os caminhos?! Vejo Barcelona com outros olhos. Me pergunto se isso acontece porque não estou só. Só, consigo enxergar muitas vezes com os olhos da alma. Penso na constante indecisão, inconstância e insatisfação satisfeita do ser humano. A alma grita pra enxergar junto com o que é não-alma. Vivo com a não-alma todo o tempo. E quando a alma resolve enxergar, fodeu...
Madrid - Museu de Arte Reina Sofia

Guernica - 1 de maio a 4 de junho 37. Pablo Picasso
Comecei a andar e a fome apertar. Resolvi acabar com os atalhos e seguir para Guernica. Esse havia sido o motivo pra não perder o museu. Passo pela tela, nada acontece. Todos colados, olhando. Sigo para a sala ao lado, dedicada a todas as loucuras de Picasso. Me rendo. A tudo... Queria estar dentro daquela cabeça insana traduzida em traços intangíveis, inimitáveis. Volto à Guernica. Quero me deitar aos pés da tela, ali ficar... Quero ser pisoteada pela moldura, massacrada por esses traços. Quero fazer parte da arte, quero ela entranhada em mim. Quero que ela cure minha neurose, quero que ela seja minha neurose, quero que ela me neurotize... Quero estar ali, quero ser aquilo. Traços cinzas de Guérnica, nada mais...
Comecei a andar e a fome apertar. Resolvi acabar com os atalhos e seguir para Guernica. Esse havia sido o motivo pra não perder o museu. Passo pela tela, nada acontece. Todos colados, olhando. Sigo para a sala ao lado, dedicada a todas as loucuras de Picasso. Me rendo. A tudo... Queria estar dentro daquela cabeça insana traduzida em traços intangíveis, inimitáveis. Volto à Guernica. Quero me deitar aos pés da tela, ali ficar... Quero ser pisoteada pela moldura, massacrada por esses traços. Quero fazer parte da arte, quero ela entranhada em mim. Quero que ela cure minha neurose, quero que ela seja minha neurose, quero que ela me neurotize... Quero estar ali, quero ser aquilo. Traços cinzas de Guérnica, nada mais...
Antes de viajar...

Muitas vezes me sinto saindo das páginas de Dostoiewsky ou das letras de Eddie Vedder. De onde vim não importa, pra onde vou tampouco. O que faço e farei, talvez. O que está dentro domina o que acontece lá fora, joga os dados a esmo. O resultado é um jogo onde vencer não é nada já que a sobrevivência já basta. Ver o feio e o lindo, a bondade e a maldade coexistindo como forças antagônicas e compressoras. Chega o café, volto à realidade... O computador me espera. 6 horas de trabalho sem sentido. Mas na verdade, qual o sentido disso tudo?
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