Páginas em branco me desafiam, me confundem, me convidam. Mesmo sem ter algo pra falar não consigo me conter e, nesse impulso sem sentido, me ponho a escrever pra ninguém. Nem mesmo pra mim.
Deitada na cama, envolvida pelo branco dos lençóis, percorro o encontro por vir. Nele enxergo os beijos apaixonados, os carinhos trocados, uma cumplicidade latente. A beleza do olhar, a pureza do sorriso, a simplicidade do encontro.
Algo me inquieta. Não consigo entender de onde vem tanto medo. Flashes de um futuro se misturam com o passado. Tento entender de onde isso vem. Esse furacão que parece viver de aluguel no meu estômago. Inquilino imposto. Olho pela janela, as nuvens me convidam a um passeio pela paz. Encosto em tudo à minha volta procurando calma. O coração bate forte. Os olhos não conseguem fechar e o corpo não descansa. São 24 horas de uma vigília incompreendida e indesejada. Fico me procurando em respostas que nunca chegam. Vou indo, sou levada. A melodia é a única terapia. A letra, o calmante obrigatório. Escrevo por escrever, ouço por ouvir, vivo por tudo e, às vezes, por nada.
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